Quem era a Irmã Lúcia?
Lúcia de Jesus dos Santos — filha de António dos Santos e Maria Rosa — de carácter nobre e com grande sentido comum e de humor, nasceu em Aljustrel a 28 de março de 1907. Foi batizada no dia 30 de março de 1907, Sábado Santo, na igreja paroquial de Fátima. Recebeu a sua Primeira Comunhão na sexta-feira, 30 de maio de 1913, festa do Sagrado Coração de Jesus, sinal providencial de uma predileção especial do Senhor por ela, que ela também guardaria de forma especial no seu coração a partir desse momento. No ano seguinte, começou a pastorear o rebanho da família.
Em 1916, enquanto pastoreava as ovelhas com os seus primos Francisco e Jacinta, começou uma história que transformaria o rumo das suas vidas: os três pastorinhos receberam a visita do Anjo de Portugal (ou Anjo da Paz) por três vezes. As suas vidas mudaram ainda mais em 1917, com as seis aparições de Nossa Senhora, entre maio e outubro.
(Pode clicar aqui para conhecer todos os detalhes e mensagens das aparições na vida de Irmã Lúcia e dos seus primos, conhecidas como as «Aparições de Fátima», nas quais se incluem também as posteriores aparições ocorridas em Espanha à Irmã Lúcia).
Após o cumprimento da profecia mariana das mortes dos seus primos Francisco e Jacinta (em 1919 e 1920, respetivamente), intensificou-se a figura de Lúcia como «centro» dos acontecimentos de Fátima, ao ser a única vidente viva. A jovem sentiu o desejo de pertencer somente a Deus e iniciou um percurso que a afastaria da sua querida aldeia natal, Fátima, mas que a aproximaria mais do que nunca da sua amada Maria Santíssima.
A 16 de junho, parte para o Porto, onde — no dia seguinte — ingressa no Asilo de Vilar para completar a sua educação primária. O bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, confirmou-a no dia 24 de agosto de 1925 e dois meses depois, por conselho do mesmo, Lúcia deslocou-se para a Galiza (Espanha) para iniciar como postulante no Instituto das Irmãs de Santa Doroteia.
Permaneceria nas cidades galegas de Pontevedra e Tui até 1946. Nesse período teve três aparições: a da Virgem Maria e do Menino Jesus (1925), a do Menino Jesus (1926, em Pontevedra) e a da Santíssima Trindade e da Virgem Maria (1929, em Tui). Além disso, na Galiza escreveu as quatro primeiras «memórias» sobre a sua vida e a dos seus primos: a primeira em 1935, a segunda em 1937, a terceira e a quarta em 1941. Escreveu a terceira parte do «segredo» no início de 1944 e começou a escrever «O Meu Caminho» (obra que reúne memórias e o seu diário pessoal).
A 16 de maio de 1946 regressou a Portugal e instalou-se no Colégio de Sardão e, nesse mesmo mês, voltou a Fátima pela primeira vez desde a sua partida em 1921.
Posteriormente, como resultado de um desejo há muito acarinhado e de uma persistência incansável da sua alma pelo retiro e silêncio em Deus, a 25 de março de 1948, Lúcia ingressou como carmelita no Carmelo de Santa Teresa em Coimbra (Portugal). Permaneceria ali até ao dia da sua morte, a 13 de fevereiro de 2005. Segundo os seus desejos expressos, os seus restos mortais foram enterrados no mesmo convento carmelita. A 19 de fevereiro de 2006, foram trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Fátima.
A 13 de fevereiro de 2008, terceiro aniversário da morte da Irmã Lúcia, o Santo Padre Bento XVI, respondendo ao pedido de milhares de fiéis de todo o mundo, deu o seu consentimento para a abertura do Processo de Beatificação da Irmã Lúcia, dispensando assim o período de espera de cinco anos estabelecido pela Igreja.
A 30 de abril de 2008, o bispo Albino Cleto de Coimbra iniciou o Processo de Beatificação da Irmã Lúcia e, a 8 de setembro de 2012, a Irmã Ângela de Fátima Coelho da Rocha Pereira da Silva (ASM) foi nomeada vice-postuladora da Causa de Beatificação da Irmã Lúcia pelo postulador da Causa, Pe. Romano Gambalunga (OCD).
O Curta-metragem «O Coração de Irmã Lúcia» teve o privilégio de contar, desde o início, com a aconselhamento e aprovação da vice-postuladora da Causa de Irmã Lúcia e do Carmelo de Coimbra.