Uma carta pro-vida como Carmelita
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«Querida X,
Recebi a sua carta e venho responder. Quanto ao seu pedido, ele implica muito com a lei de Deus que todos temos obrigação de observar. A sua infidelidade não consiste na gravidez, mas sim, na vida de pecado que antes levou e da qual a sua gravidez é fruto, e este fruto, embora seja fruto do pecado, não pode agora aniquilá-lo nem destruí-lo, porque seria cometer um novo pecado, matando o seu próprio filho; pelo contrário, tem obrigação de aceitá-lo e criá-lo como um novo ser que tem direito à vida, e fazer, da sua parte, todo o possível para que venha com boa saúde e perfeito, isto é um dever a que não pode faltar, porque seria ir contra o mandamento da Lei de Deus que nos diz: "Não matarás" (Ex. XX-13). E deve aceitá-lo com amor, com generosidade e espírito de sacrifício em reparação do seu pecado, e que esta triste experiência lhe sirva para não voltar mais a pecar. .... procure iniciar uma nova vida de jovem séria e honrada...
Nada há que pague a vida honrada de uma jovem, que a torna digna da graça de Deus na sua alma, a pureza do seu corpo e do seu coração. Este é o melhor caminho que agora deve abraçar com generosidade, com fidelidade e espírito de sacrifício, em reparação do seu passado e para que Deus a faça mais feliz no seu futuro, levando uma vida melhor com a qual mereça de Deus a graça de ser mais feliz; porque a infelicidade vem do pecado. Nunca ninguém foi feliz numa vida de pecado.
Fico rezando por si, esperando que compreenda o que aqui lhe digo e que siga pelo caminho que aqui lhe indico, para levar uma vida melhor na terra e mais feliz no Céu. Em união de orações.
Coimbra, 11-V-1983. Irmã Lúcia».